CKS

Campeonato KartSabesp

Criado em 1998, o KartSabesp completa 14 anos de existência em 2012. Trata-se de um campeonato interno de corrida de karts entre funcionários da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp. A ideia da criação do torneio surgiu meio que por acaso.

Em 1996 houve uma grande movimentação de funcionários na companhia e Sérgio Seraidarian Cordeiro, analista de gestão, foi transferido para a Unidade de Pinheiros, onde acabou conhecendo Edissandro Aparecido de Freitas, ou simplesmente Sandro - este sim, um apaixonado pela velocidade (inclusive participa e está envolvido em corridas profissionais no autódromo de Interlagos). Neste período existia uma febre de kartódromos em São Paulo. Em 1998, Sérgio e Sandro foram "brincar" em um kartódromo sediado nas imediações da ponte do Jaguaré, na capital paulista. Sérgio descreve a sensação de dirigir um kart pela primeira vez: “Foi amor à primeira vista”. Lá mesmo, Sandro e Sérgio vislumbraram a possibilidade de criar um campeonato incluindo alguns amigos da Sabesp. Assim, Sérgio Cordeiro, Sandro de Freitas e mais um terceiro funcionário, Vanderlei Pataro Tortolano, tornaram-se os fundadores e organizadores do evento.

Em 1998 foram realizadas algumas baterias no mesmo kartódromo onde Sérgio e Sandro tiveram a ideia da competição, mas o campeonato realmente começou em 1999, com dez etapas e 44 pilotos distribuídos em quatro baterias, já em outra pista, que possuía um esquema mais organizado. Em 2001, a Associação Sabesp, clube de empregados da companhia, começou a subsidiar os custos do campeonato para os pilotos associados. Mas, devido a uma crise financeira na Associação Sabesp, em 2012 o subsídio caiu de 70% para 40% do custo das corridas. Nos tempos em que o subsídio chegava a 70%, havia 120 pilotos. Hoje, há somente 60 inscritos, que têm de arcar com mais da metade do custo das corridas. Esaqueu Castilho de Almeida, líder da equipe de manutenção civil da Unidade do Guarapiranga, ex-piloto (2009 a 2011) e um dos patrocinadores do evento, é dono da empresa BHTESP, que doa equipamentos de segurança para alguns pilotos, como luvas e macacões. Ele bancou ainda os bordados do nome, tipo sanguíneo e logotipo da Associação Sabesp nos macacões desses competidores. Esaqueu afirma que não segue critérios pré-determinados na escolha do piloto patrocinado. “Por enquanto, patrocino os amigos mais próximos e não exijo nada em troca, pois o retorno com as imagens e vídeos de meu logo estampado nos uniformes já são muito bons”.

Desde 2011, Esaqueu também patrocina a festa de premiação no final do campeonato. Os três primeiros colocados, além do troféu doado pela organização do KartSabesp, também ganham miniaturas de kart da BHTESP como parte das premiações. Quando perguntado por que deixou de correr este ano, Esaqueu respondeu que sua motivação para correr era de estar ao lado de seu filho, que este ano está fora do torneio, pois decidiu se dedicar aos estudos. Histórias André Raul Costa Santos, técnico em sistema de saneamento e um dos atuais pilotos, diz que iniciou no campeonato em 2009 e, quando novato, sentiu dificuldades na adaptação aos carrinhos. “Nos dias quentes, o combustível dos karts chega a criar bolhas e consequentemente faz o motor falhar nas retas. Já nos dias frios, a aderência dos pneus no chão é muito ruim, forçando o piloto a diminuir um pouco seu ritmo”, explica ele. A maior dificuldade de todos os pilotos, inclusive dos veteranos, é andar na chuva, pois como não se trata de um campeonato profissional, onde os karts competem com pneus apropriados de acordo com o clima (chuva ou tempo seco), no KartSabesp os pilotos correm sempre com pneus lisos, tornando a dirigibilidade muito mais difícil. Valdemir Reis dos Santos, analista de gestão e piloto que iniciou em 2000, gosta de relembrar sua melhor corrida. “Em Atibaia, quando larguei em 4° lugar num dia de chuva, na primeira curva o primeiro e o segundo colocados bateram e rodaram na pista. O terceiro teve que sair para o lado de fora e eu fui por dentro. Quando olhei para trás, todos os outros acabaram batendo, inclusive o que largou em terceiro. Abri mais de 15 segundos de vantagem e venci a prova.” Rivelino A. de Oliveira, técnico em sistema de saneamento e ex-piloto que correu entre os anos de 1999 e 2001, e depois novamente em 2011, diz que contava com o apoio da família. “Algumas vezes até iam me assistir no autódromo, mas parei de correr em 2012 por também decidir dedicar-me aos estudos”, conta o ex-competidor.

Durante os 14 anos de existência do campeonato, Sérgio Cordeiro relata a ocorrência de apenas um acidente mais grave: um piloto quebrou o braço durante uma corrida. Os pilotos recebem instruções de segurança em todas as etapas do evento, mas a infraestrutura de segurança é mantida pelo próprio kartódromo. Existem enfermeiros e uma ambulância pronta para qualquer ocorrência. Apesar das dificuldades de subsídio, os organizadores do KartSabesp querem profissionalizar a atividade, incentivando os campeonatos já existentes: o "Amigos do KartSabesp" e o "Super100". O primeiro é um torneio para parentes e amigos dos funcionários da Companhia. Já o “Super 100” foi criado para competidores acima de 100 quilos. A ideia é ganhar cancha para participar de eventos como as 500 milhas da Granja Viana, criado para pilotos amadores, que desde 2011 é disputado no Beto Carreiro Word, em Santa Catarina.

Há ainda planos para a criação do Kartódromo "Associação Sabesp" em parceria com a associação de funcionários. O local, além de sediar os campeonatos internos da Sabesp, seria explorado comercialmente. Mas, ao que parece, este é ainda um futuro distante.